08.02.2007: Apple fala sobre o DRM e causa reacções
O Steve Jobs, CEO da Apple, escreveu há dois dias um artigo sobre o uso de DRM na loja de música online iTunes, em reacção aos últimos eventos na Europa, em que vários países Europeus estão a dizer à Appla para abandonar o uso de DRM ou então serão processados.
Na resposta, Jobs falou da posição pública da Apple em relação ao uso que dão a tecnologias DRM, apontando três hipóteses para o futuro:
- Deixar tudo como está (mantendo o uso do DRM, mau)
- Licenciar a tecnologia de DRM da Apple (mantendo o uso do DRM, mau)
- Parando de vender músicas com DRM (abandonando o uso de DRM, bom)
Usando as suas palavras, a Apple abraçaria um mundo de música sem DRM "num instante" se "as quatro grandes companhias de música licenciassem à Apple a sua música sem a obrigatoriedade de a protegerem com DRM.".
No entanto, eles também dizem que
"Há muita preocupação com os sistemas de DRM na Europa. Talvez os países descontentes com a situação actual devessem redireccionar as suas energias na persuasão da indústria discográfica para que vendam as suas músicas sem DRM. Para os Europeus, duas e meia das quatro grandes empresas musicais estão localizadas no seu jardim. A maior, Universal, é 100% da Vivendi, uma empresa Francesa. A EMI é uma companhia Inglesa, e 50% da Sony BMG é da Bertelsmann, uma empresa Alemã. Convencê-los a licensiar a sua música à Apple e outros sem DRM irá criar um mercado musical verdadeiramente interoperável. A Apple iria apoiar esta decisão de braços abertos."
Por outras palavras, a Apple está a tentar escapar aos potenciais processos em tribunal, tentando convencer os vários países Europeus de que têm de pressionar as quatro grandes editoras que têm de deixar de vender músicas com DRM na loja da Apple nas próximas renegociações, que irão acontecer já em Março, em vez de forçar a Apple a fazer o seu trabalho.
Claro que esta atitude já teve algumas reacções:
O Conselheiro sénior do Concelho de Consumidores da Noroega Torgeir Waterhouse fez o melhor possível, respondendo com nível a Jobs:d:
"A nossa preocupação é obviamente que é a Apple e [a] loja de música online iTunes [que] devem resolver os seus problemas com a indústria discográfica e com o DRM, se é necessário resolver isso - e tal como dissemos anteriormente é o iTumes que está a prestar um serviço aos consumidores pelo que é do iTunes a responsabilidade de oferecer um produto bom para o consumidor."
e
"independentemente dos acordos [que] o iTunes [tenha] estabelecido, eles são a empresa que está a vender música aos consumidores e que é responsável por oferecer ao consumidor um negócio justo de acordo com a lei da Noroega."
Por outro lado, a RIAA (Indústria Discográfica Americana) recusa um mundo livre de DRM, dizendo que a "opção 2" da Apple (licenciar a sua tecnologia de DRM) deveria ser a opção, e que
"Não temos dúvidas que uma empresa tecnológica tão sofisticada e inteligente como a Apple consiga trabalhar com a comunidade musical para fazer isso acontecer"
, mas esta é uma opção que o próprio Jobs indicou como inválida.
A EMI está, vagarosamente, a experimentar vender música sem DRM. Quando inquirida, a representante da EMI Jeanne Meyer disse:
"O feedback dos fãs foi muito entusiástica,"
e que
"Acho que as editoras irão lançar pedaços seleccionados dos seus catálogos [sem DRM], para ver o que acontece".
